A fixação de preço contra legem nos contratos de arrendamento rural

dc.contributor.advisorAlves, Patrik de Souza
dc.contributor.authorSiqueira, Antônio Lucas Souza
dc.date.accessioned2026-08-21T19:57:26Z
dc.date.issued2026-06
dc.description.abstractO presente trabalho analisa a legalidade da fixação do preço em quantidade de frutos ou produtos nos contratos de arrendamento rural, diante da vedação prevista no artigo 18, caput e parágrafo único, do Decreto nº 59.566/66, que determina que o preço do arrendamento rural seja estipulado em quantia fixa em dinheiro. A pesquisa examina a tensão existente entre a norma cogente agrária e a prática reiterada adotada nas relações rurais, especialmente no contexto do agronegócio contemporâneo, em que é comum a estipulação da remuneração em sacas de soja ou outros produtos agrícolas. O estudo aborda a aplicação da autonomia da vontade, dos costumes e da boa-fé objetiva nos contratos agrários, demonstrando que, embora o Estatuto da Terra e o Decreto nº 59.566/66 possuam natureza de ordem pública e limitem a liberdade contratual, os costumes regionais permanecem amplamente presentes na prática negocial rural. Analisa-se, ainda, a natureza subsidiária dos costumes no ordenamento jurídico brasileiro e a impossibilidade de revogação de normas cogentes por práticas contra legem. A pesquisa também examina a evolução jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso acerca da matéria. Verifica-se que o STJ mantém o entendimento de que a cláusula que fixa o preço do arrendamento em frutos ou produtos é nula, mas passou a mitigar os efeitos dessa nulidade quando identificada a ocorrência de comportamento contraditório, em observância aos princípios da boa-fé objetiva, da proteção da confiança e da vedação ao venire contra factum proprium. Por outro lado, o TJMT vem reconhecendo, em determinadas hipóteses, a validade material dessas cláusulas, considerando os costumes regionais, a autonomia privada e a realidade contratual do setor agrícola. Utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica, com análise da legislação, doutrina especializada e jurisprudência, mediante abordagem qualitativa. Conclui-se que, embora a fixação do preço do arrendamento rural em frutos ou produtos permaneça formalmente vedada pela legislação agrária, a interpretação contemporânea do tema exige análise concreta das relações negociais, de modo a compatibilizar a norma cogente com os princípios da boa-fé, da segurança jurídica e da estabilidade das relações contratuais agrárias.
dc.description.resumoThis paper analyzes the legality of establishing the price of rural lease agreements in quantities of fruits or agricultural products, considering the prohibition set forth in article 18, caput and sole paragraph, of Decree No. 59.566/66, which determines that the rural lease price must be stipulated in a fixed monetary amount. The research examines the tension between mandatory agrarian rules and the customary practices adopted in rural contractual relations, especially within the context of contemporary agribusiness, where remuneration based on soybean sacks or other agricultural products is common. The study addresses the application of private autonomy, customs, and objective good faith in agrarian contracts, demonstrating that although the Land Statute and Decree No. 59.566/66 have a public policy nature and limit contractual freedom, regional customs remain widely present in rural business practices. Furthermore, the paper examines the subsidiary nature of customs in the Brazilian legal system and the impossibility of revoking mandatory legal provisions through practices contrary to the law. The research also analyzes the jurisprudential evolution of the Superior Court of Justice and the Court of Justice of the State of Mato Grosso regarding the subject. It is observed that the Superior Court of Justice maintains the understanding that clauses establishing the lease price in fruits or products are null and void, but has mitigated the effects of such nullity when contradictory conduct is identified, in compliance with the principles of objective good faith, protection of legitimate expectations, and the prohibition of venire contra factum proprium. On the other hand, the Court of Justice of Mato Grosso has recognized, in certain cases, the material validity of such clauses, considering regional customs, private autonomy, and the contractual reality of the agricultural sector. The study adopted the bibliographic research method, based on legislation, specialized doctrine, and case law, through a qualitative approach. It is concluded that, although the establishment of rural lease prices in fruits or products remains formally prohibited by agrarian legislation, the contemporary interpretation of the issue requires a concrete analysis of contractual relations in order to reconcile mandatory legal rules with the principles of good faith, legal certainty, and stability in agrarian contractual relations.En
dc.identifier.citationSIQUEIRA, Antônio Lucas Souza. A Fixação de Preço Contra Legem nos Contratos de Arrendamento Rural. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade de Sorriso – FASIPE.
dc.identifier.urihttps://repositorio.fasipe.com.br/handle/123456789/1534
dc.language.isopt
dc.subjectArrendamento Rural
dc.subjectBoa-fé Objetiva
dc.subjectContratos Agrários
dc.subjectSegurança Jurídica
dc.titleA fixação de preço contra legem nos contratos de arrendamento rural
dc.typeWorking Paper

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