Faculdade Fasipe Cuiabá
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Resultados da Pesquisa
Item Os desafios da Defensoria Pública de Cuiabá-MT no atendimento às mulheres em situação de violência doméstica: contribuições da Psicologia na rede de proteção(2026-06) Souza, Linderson Amorim de; Dias, Lorena Lopes de FreitasA violência doméstica configura-se como um grave problema social, de saúde pública e de violação dos direitos humanos, afetando diretamente a integridade física, emocional e psicológica das vítimas, especialmente mulheres em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, a Defensoria Pública desempenha papel fundamental na promoção do acesso à justiça e na proteção dessas mulheres, sendo responsável não apenas pela assistência jurídica, mas também pela articulação com a rede de apoio e acolhimento psicossocial. O presente estudo teve como objetivo analisar os desafios enfrentados pela Defensoria Pública no acolhimento psicossocial de mulheres vítimas de violência doméstica, identificando limitações institucionais e possibilidades de aprimoramento do atendimento humanizado e interdisciplinar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, desenvolvida por meio de revisão integrativa da literatura, com levantamento de produções científicas e documentos institucionais publicados entre os anos de 2020 e 2025, nas bases SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PePSIC e Google Acadêmico. Os resultados evidenciaram que os principais desafios estão relacionados à insuficiência de equipes multidisciplinares, fragilidade da articulação entre os serviços da rede de proteção, escassez de recursos institucionais, burocratização dos atendimentos e risco de revitimização durante o processo de busca por apoio. Observou-se, ainda, que a Psicologia, especialmente sob perspectiva sistêmica, contribui significativamente para a compreensão ampliada da violência doméstica, ao considerar os vínculos familiares, relacionais e contextuais envolvidos na dinâmica da violência. Conclui-se que o fortalecimento institucional da Defensoria Pública, aliado à ampliação da atuação interdisciplinar, à capacitação profissional contínua e à integração efetiva da rede de proteção, é essencial para a construção de um acolhimento psicossocial mais humanizado, eficiente e comprometido com a dignidade e autonomia das mulheres em situação de violência.Item O Ciclo da violência doméstica e os fatores de risco para o feminicídio: análise das fases que conduzem ao desfecho letal(2026-06) Reis, Elisa Fernanda de Barros; Botelho Júnior, OdilzoA violência doméstica configura-se como um fenômeno complexo e progressivo, frequentemente estruturado em um ciclo que envolve fases de tensão, agressão e aparente reconciliação, conforme descrito na teoria do Ciclo da Violência. Esse padrão cíclico tende a se intensificar ao longo do tempo, elevando a gravidade das agressões e ampliando a vulnerabilidade da vítima. Nesse contexto, fatores de risco como o histórico de violência reiterada, o controle coercitivo, o uso de substâncias psicoativas, o acesso a armas e a dependência emocional e econômica desempenham papel decisivo na escalada da violência. O objetivo da pesquisa foi analisar de que maneira as fases do ciclo da violência doméstica contribuem para a progressão da violência que culmina no feminicídio. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter descritivo, com base em revisão bibliográfica. Foram analisados artigos científicos, legislações e decisões judiciais, selecionados nas bases SciELO e Portal de Periódicos da CAPES, além de documentos de tribunais superiores. Utilizaram-se descritores relacionados à temática, com recorte temporal de 2020 a 2025, aplicando critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Ao final, 12 artigos compuseram o corpus do estudo, seguindo as etapas do método PRISMA. Os achados da pesquisa evidenciam que a violência doméstica apresenta um padrão recorrente de progressão, caracterizado pelo Ciclo da Violência, no qual as fases de tensão, agressão e reconciliação contribuem para a naturalização e intensificação das práticas violentas. Observou-se que fatores de risco como histórico de agressões anteriores, controle coercitivo, dependência emocional e econômica, uso de substâncias psicoativas e acesso a armas estão diretamente associados à escalada da violência. A literatura analisada aponta ainda que a repetição do ciclo dificulta a ruptura do vínculo abusivo, aumentando a vulnerabilidade da vítima e favorecendo a progressão para desfechos mais graves, como o Feminicídio. Além disso, verificou-se que a atuação insuficiente das redes de proteção e a subnotificação dos casos também contribuem para a continuidade do ciclo violento. Conclui-se que o ciclo da violência doméstica desempenha papel central na compreensão da evolução das agressões até o feminicídio, evidenciando que a violência não ocorre de forma isolada, mas sim progressiva e repetitiva. Os fatores de risco identificados atuam como elementos agravantes que potencializam a letalidade dos casos. Dessa forma, reforça-se a importância de políticas públicas efetivas, ações intersetoriais e mecanismos de proteção mais ágeis e eficazes, visando interromper o ciclo da violência e prevenir o desfecho fatal.
