Direito

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    Da validade ou não da cláusula de arbitragem nas relações de consumo
    (2026-06) Almeida. André Luiz; Coelho, Bruno Felipe Monteiro
    O presente trabalho aborda a validade ou não da cláusula de arbitragem nas relações de consumo, analisando os limites jurídicos de sua aplicação diante da proteção conferida ao consumidor pelo ordenamento jurídico brasileiro. A arbitragem, prevista pela Lei nº 9.307/1996, representa um importante mecanismo alternativo de solução de conflitos, sendo caracterizada pela celeridade, especialização técnica e redução do formalismo processual. Entretanto, a sua utilização nas relações consumeristas gera intensos debates doutrinários e jurisprudenciais, principalmente em razão da vulnerabilidade do consumidor frente ao fornecedor. Nesse sentido, se torna necessário compreender se a cláusula compromissória inserida em contratos de adesão pode ser considerada válida sem violar os princípios fundamentais previstos no Código de Defesa do Consumidor, como a boa-fé objetiva, a transparência contratual, a equidade e o acesso à justiça. A relevância do tema está relacionada ao crescimento das relações de consumo digitais e da utilização de contratos padronizados, nos quais frequentemente são inseridas cláusulas arbitrais sem possibilidade efetiva de negociação pelo consumidor. Dessa forma, a pesquisa se justifica pela necessidade de discutir os limites da autonomia privada nas relações consumeristas, considerando que a imposição da arbitragem pode representar restrição ao direito do consumidor de recorrer ao Poder Judiciário, especialmente em situações de hipossuficiência econômica, técnica ou informacional. A problemática central do estudo consiste em analisar se a cláusula de arbitragem inserida em contratos de consumo pode ser considerada válida sem afrontar os direitos fundamentais do consumidor e os princípios protetivos estabelecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro. O objetivo geral da pesquisa é compreender os limites da validade da cláusula arbitral nas relações de consumo, observando os entendimentos doutrinários, legislativos e jurisprudenciais acerca da matéria. Como objetivos específicos, se busca identificar os fundamentos jurídicos da arbitragem no Brasil, analisar a vulnerabilidade do consumidor nos contratos de adesão e examinar os critérios utilizados pelos tribunais para reconhecer ou afastar a validade dessas cláusulas. Quanto à metodologia, a pesquisa possui natureza qualitativa, descritiva e exploratória, sendo desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, utilizando livros, artigos científicos, legislações e decisões judiciais relacionadas ao Direito do Consumidor e à Arbitragem. A partir da análise realizada, se conclui que a cláusula de arbitragem nas relações consumeristas não é absolutamente inválida, porém sua aplicação deve observar rigorosamente os princípios da informação, da liberdade de escolha e da proteção do consumidor, sendo considerada legítima apenas quando houver manifestação clara, consciente e inequívoca da vontade do consumidor em aderir ao procedimento arbitral, garantindo, assim, o equilíbrio contratual e a efetiva proteção de seus direitos fundamentais.